Vila Bela da Santíssima Trindade (MT)

Longe de nós querermos bancar o Pedro Álvares Cabral e dizermos que “descobrimos” algo no Brasil. Mas, desta vez, encontramos um lugar pouquíssimo explorado turisticamente e de uma riqueza histórica e natural inacreditável.

Este paraíso perdido no Brasil atende pelo nome de Vila Bela da Santíssima Trindade e fica nos confins do Mato Grosso, quase na divisa com a Bolívia. Para chegar lá, é preciso ter paciência. A cidade fica a 520 quilômetros de Cuiabá e há trechos da rodovia BR-174 bastante esburacados. Mas todo o esforço vale a pena.

Logo ao chegar na praça principal, os visitantes se deparam com as ruínas de uma catedral construída em 1752, na época da descoberta do ouro e outras riquezas minerais nas margens do Rio Guaporé. Com medo da invasão espanhola, os portugueses fundaram ali, em Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital do Mato Grosso e ergueram, além da igreja, um imponente casario colonial.

Décadas mais tarde, com o aparecimento de outro importante centro comercial na região, a capital foi transferida para Cuiabá. E o mais curioso é que fazendeiros e comerciantes foram embora e deixaram tudo para trás, inclusive uma multidão de escravos que, abandonada, resistiu bravamente à fome e outras intempéries e até hoje mantém viva uma forte cultura quilombola, com festas de congado, comidas africanas e até uma bebida típica, o Canjinjin (feita com mel, raízes e ervas).

Mas a grande joia de Vila Bela da Santíssima Trindade são as cachoeiras, mais de 30 no total e a maioria delas totalmente selvagens. Ou seja, um programa perfeito para aventureiros, e não para farofeiros. Uma dica importante: escolha a dedo o guia turístico! Como a cidade não tem agências de viagem, é preciso pesquisar bastante para encontrar alguém qualificado. Nós super recomendamos o Luiz Barros, o Lula (contato 65 9948-1478), guia mais antigo da região e excelente companheiro para desbravar as belezas de Vila Bela.

No primeiro dia, visitamos a mais impressionante das quedas d’água, a Cachoeira do Jatobá, com 248 metros de queda, considerada a 4ª maior do Brasil. Admirá-la exige uma caminhada de 10 quilômetros com subidas íngremes, mata fechada, travessia de rios e muita disposição.

CanionVilaBela23032018 172.JPG

O segundo dia foi reservado para nos refrescarmos! Para isso, descemos a montanha, fizemos uma trilha pelo leito do rio Jatobá e chegamos até o seu cânion, com 150 metros de extensão, águas cristalinas e o famoso Poço Azul, com pontos de até 8 metros de profundidade. Outra cachoeira imperdível é a dos Namorados, com imensas rochas e um lago bem diante da queda.

De volta à cidade de Vila Bela da Santísssima Trindade, a natureza te presenteia com uma visita do mais ilustre morador das águas do Rio Guaporé: o boto-rosa. Ele pode ser avistado na ponte principal da cidade, mas o mais legal é alugar um barco para admirá-lo longe da civilização.

Boto VilaBela22032018 012A.JPG

Dicas: como a cidade tem pouca infraestrutura turística é fundamental fazer contato com um bom guia de viagem com antecedência e reservar um hotel para dormir. Uma opção bastante simples, mas limpinho e econômico, é o Hotel JB. Para as caminhadas, use bota impermeável, meias apropriadas para trekking, capa de chuva e muito protetor solar.

Cuidado especial com a formiga cabo-verde, presença constante em todas as trilhas que fizemos por lá. A espécie é carnívora e conhecida por ter a picada mais dolorosa do mundo! Antigamente, ela era usada por índios em rituais com jovens que, para provarem força, eram obrigados a colocar a mão dentro de luvas com várias formigas… Não é bom nem imaginar o estrago, já que uma única picada já levou pessoas ao hospital.

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