Linda Cartagena

O mais óbvio para começar um texto sobre Cartagena seria enaltecer a beleza arquitetônica do seu casario colonial, a boa comida servida nos restaurantes, a sofisticação dos seus hotéis e o sorriso simpático estampado no rosto de todos (sem exceção) os colombianos. Mas a notícia que realmente merece destaque é outra: há pouco mais de uma década, essa cidade caribenha era um território em guerra, ponto de disputa entre guerrilheiros e narcotraficantes e com um centro histórico carcomido e degradado. E numa impressionante transformação, hoje Cartagena conhece a paz. Claro que não em seu sentido pleno. Ainda há violência nas periferias e desigualdades sociais assustadoras. Mas houve mudanças muito positivas e a cidade agora permite a visitantes caminharem, seja de dia ou à noite, com tranquilidade por suas pacatas ruas e se encantarem com o charme, o colorido e a malemolência típicos do mais paradisíaco Caribe.

O calor úmido faz de Cartagena uma cidade difícil de ser explorada durante o dia. Mas, pouco antes do pôr-do-sol uma brisa fresca convida os turistas a se perderem por entre as ruelas do Centro Histórico. Centenas de vendedores ambulantes e artesãos vão cruzar seu caminho para oferecer mercadorias, mas nada que tire o encanto desta joia tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e que preserva o glamour dos tempos em que foi residência dos vice-reis da Espanha, durante a colonização das Américas. Cercada por muralhas e com o Castelo de San Felipe a espreitar a cidade, Cartagena reconta a sua história em lindos museus, palácios e igrejas.

Foto Renato Weil/A Casa Nomade-2018i.Cartagena.Colombia.

Mas é pela boca que Cartagena realmente conquista o coração dos visitantes. No conceituado Restaurante Carmen, os ingredientes tipicamente colombianos, em especial as frutas, e uma apresentação contemporânea dos pratos estão presentes em todo o cardápio. Fomos recebidos pela simpática chef Carmen Ángel, formada pela escola francesa Cordon Bleu, e ela nos preparou um jantar incrível e cheio de surpresas. No banquete, teve ovo com camarão, creme de trufas negras, tinta de lula e espuma de queijo carmenere; carpaccio com queijo parmesão; lagostas e mexilhões; peixe fresco com trufa negra; e um trio de carnes (filé mignon, língua e bochecha de boi) delicioso. E, nas sobremesas, um festival de tortas e sorvetes de frutas regionais, como abacaxi, côco, cupuaçu, uvas e lulo. Tudo divino!

 

Com a vista mais linda de Cartagena, de frente para as muralhas e para a catedral da cidade, o Restaurante Marea by Rausch é outra referência em peixes e frutos do mar. Provamos uma torre de caranguejos com abacate, vinagre balsâmico e molho de manga; polvo na brasa com batatas recheadas e o mais típico peixe de Cartagena: mojarra frita com patacón (massa à base de banana verde), com arroz de côco e extrato de coentro. O jantar também teve espaço para um delicioso filé mignon com molho de vinhos e fungos e um menu degustação de sobremesas Marea. Tudo coroado com a simpatia e eficiência do garçom Erminson Zapata.

 

Para cativar os visitantes com sabores exóticos e diferentes culturas, Cartagena também vai além da gastronomia colombiana. No moderno e luxuoso bairro de Boca Grande, o destaque é o Restaurante Árabe Internacional, com 53 anos de história e frequentado por todos os presidentes da Colômbia. Fundado pelo casal sírio Alfredo e Georgette Saker de Farah, o estabelecimento hoje é comandado pelas simpáticas irmãs Betty e Nadia Farah, que se orgulham de importar todos os ingredientes usados em sua cozinha e fabricar artesanalmente os mais deliciosos pratos.

Depois de ouvir histórias e casos dos mais de 50 anos de história do Restaurante Árabe Internacional, provamos, de entrada, quibe cru, com pasta de grão de bico e couve-flor banhada em molho tahine. O prato principal foi um mix de delícias árabes: arroz de amêndoas, espeto de filé mignon, charutos de folha de uva e de repolho, quibe frito, empanadas e salada da casa. E, para terminar, um incrível sorvete de pistache.

Os amantes da culinária espanhola não podem deixar de visitar o badalado Restaurante Pata Negra, comandado pelo chef Paco Roncero, ganhador de duas estrelas Michelin e jurado do Master Chef Colômbia. Provamos croquetes de fungos, dados de batata com molho ao alho e óleo e ovas de salmão, salada russa com molho branco e mini-hambúrguer com mostarda dijon. Mas melhor que a comida foi a aula de história e patriotismo colombiano que recebemos do simpático gerente Manuel Busquets. Da sua memória, Manuel tirou histórias tristes dos tempos em que a guerrilha e o narcotráfico ditavam as regras no país, fechavam rodovias, sequestravam pessoas e violavam direitos humanos básicos. E cheio de orgulho, ele nos contou cada etapa da luta contra as milícias até chegar aos dias atuais, quando a Colômbia, e em especial Cartagena, recebe a todos com muita hospitalidade e segurança. Um brinde a este paraíso, de preferência regado com o premiado rum colombiano Dictador.

Quer saber mais sobre nossa viagem à Cartagena? Ouça todas as nossas histórias na coluna A Casa Nômade na CBN.

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