Guatemala

Guatemala convida a uma viagem pelos sentidos. Primeiro, apure os ouvidos. A sonoridade começa pelo adjetivo-pátrio – “gua-te-mal-te-co” – e segue pelos 22 dialetos mayas falados pelo país afora. Seus olhos vão se perder em cores vivas e vibrantes. O vermelho se sobressai sempre! No topo do Vulcão de Fogo, ele está lá, na cor assustadora das lavas que há pouco mais de 30 dias explodiram e deixaram um rastro de morte e destruição. E, lado a lado com os tons rubros, estão verde, amarelo, roxo e azul em roupas, bordados e adereços de cabeça. Até os ônibus são verdadeiras aquarelas, uma estratégia para ajudar os 1,2 milhão de analfabetos (13% da população) a se orientarem no transporte público. O olfato vai se perder por entre a fumaça das cerimônias mayas em cemitérios. Os mercados trazem o cheiro das frutas frescas e das tortillas de milho na chapa. O tato vai se impressionar com esculturas em alto e baixo relevo nas ruínas das milenares Pirâmides de Tikal, berço da civilização maya na América Central. E o paladar… hummm… Condimentos mexicanos, ingredientes exóticos e influências de todas as partes do mundo criam uma rica culinária local.

Foto Renato Weil/A Casa Nomade-2018.Antigua.Guatemala.

Depois de passar rápido com nosso motorhome A Casa Nômade pelas inseguras Nicarágua, Honduras e El Salvador, finalmente respiramos aliviados na Guatemala. Nossa primeira parada foi em Antigua, fundada pelos espanhóis em 1543 e declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Três vulcões – de Água, de Fogo e Acatenango – dominam a paisagem como sentinelas nos arredores de Antigua. E, no Centro Histórico, uma infinidade de casarões coloniais, igrejas, conventos e ruínas datadas de 1773, quando a cidade foi arrasada por um terremoto e deixou de ser a capital do país. A agência Columbus Luxury Travel nos levou para explorar detalhes históricos e curiosidades do rico passado de Antigua e, durante três horas e meia, o excelente guia Esteban Tittaferrante nos fez mergulhar na história iniciada pelo colonizador espanhol Pedro Alvarado e que até hoje está viva na arquitetura e em obras de arte da cidade.

 

Apesar da força e truculência espanholas durante a colonização terem arruinado o Império Maya na Guatemala e América Central como um todo, as influências da cultura indígena pré-colombiana permanecem viva entre os guatemaltecos. No mercado municipal, na rodoviária e na praça central de Antigua, homens e mulheres com vestimentas típicas, adereços de cabeça, dentes cobertos de ouro e um colorido encantador são a prova de que a herança maya fixou raízes nos dias atuais. E se essa cultura é pulsante em Antigua, imagine no interior!

Nas margens do Lago Atitlan, a 144 quilômetros de Antigua, povoados indígenas preservam hábitos e tradições milenares. Com a agência A Viajar Guatemala, desbravamos três cidades à beira do lago, em um delicioso passeio de barco guiados pelo simpático Eduardo Orozco. San Juan La Laguna é a aldeia dos artistas. Murais ornamentam todo o lugarejo e o pintor Andrés Mendoza, conhecido como Aliix, se destaca ao pintar telas com duas famosas técnicas: vista de pássaro (reproduzindo a paisagem que as aves devem ter das plantações de milho e café da região) e vista de formiga (com imagens agigantadas, assim como esses insetos devem enxergar o mundo acima de suas cabeças). No ateliê ao lado, a jovem Mirna Ujpan trabalha com outras 35 tecelãs da Cooperativa La Casa del Jaspe para fazer fios de algodão, tingi-los com pigmentos extraídos de sementes, folhas, cascas de árvores, raízes e insetos e, finalmente, transformá-los em lindos tecidos.

No povoado de San Pedro La Laguna, salta aos olhos o sincretismo religioso: dentro dos templos católicos estão altares reservados para as cerimônias mayas; e no altar lateral das igrejas, há sempre a imagem de Cristo com a pele bem morena (quase negra) – uma estratégia para catequizar os índios com uma figura fisicamente parecida a eles e afastar qualquer semelhança do Todo Poderoso com os branquelos conquistadores espanhóis. E para finalizar o passeio pelo Lago Atitlán, uma parada em Santiago La Laguna, onde as mulheres andam pelas ruas com um curioso adereço de cabeça, o tocoyal, formado por mais de 20 metros de fita.

A cultura das 22 tribos maya guatemaltecas se encontra, todas as quintas-feiras e domingos, no Mercado de Chichicastenango, considerada a maior feira indígena da América Central, e que também visitamos com a agência A Viajar Guatemala. Roupas, sapatos, bolsas, lenços, comidas, animais… Tudo está à venda nas centenas de bancas montadas nas ruas que partem da Igreja San Tomás. Mas é no cemitério do Cerro Pascual Abaj que mora o verdadeiro encanto de Chichicastenango. No meio dos túmulos pintados de um colorido vivo, sacerdotes mayas conduzem cerimônias e rituais com muito fogo, fumaça e oferendas. São preces para os antepassados, homenagens aos mortos e pedidos de bênçãos para os vivos feitas em dialetos locais, diante de pessoas ajoelhadas e sempre muito emocionadas.

VULCÕES

Dona de 288 vulcões, a Guatemala também convida os turistas a escaladas ao topo desses gigantes da natureza. Com a agência Sin Limites, nós enfrentamos a dura subida do Vulcão Acatenango, em dois dias de expedição. No primeiro dia, foram 6 horas de caminhada para chegar ao acampamento-base, de onde se tem uma vista espetacular – e assustadora – do Vulcão de Fogo, que entrou em erupção no início de junho deixando 116 mortos, mais de 300 desaparecidos e milhares de desalojados em Escuintla, nos arredores de Antigua. Lá do alto, se vê com nitidez o rastro das lavas vulcânicas e o vale soterrado pelo fluxo piroclástico (uma mistura de gases quentes, cinzas e fragmentos de rochas). O vermelho incandescente das lavas do Vulcão de Fogo ainda brilha em seu topo e, para apreciá-lo melhor, é preciso encarar mais de 3 horas de subida íngreme até o cume do Acatenango. Frio de 5 graus negativos, ventos fortes, algumas explosões do vulcão e vários tombos no terreno coberto de areia e cinzas fazem parte do passeio, mas todo o esforço é recompensado pelas lindas paisagens.

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TIKAL

A selva tropical esconde, em meio ao verde exuberante e animais exóticos no Norte da Guatemala, as ruínas da capital do Império Maya: Tikal. Pirâmides, templos, tumbas, praças de jogos e palácios revelam a grandeza do assentamento indígena que começou a se formar por volta do ano 1.000 a.C., teve seu apogeu entre os anos 200 e 900 d.C. com mais de 50 mil habitantes vivendo ali e foi abandonada em 950 d.C, provavelmente por causa da superpopulação e de uma forte seca que comprometeu as atividades agrárias na região.

Templo I Tikal Guatemala 10 07 2018 090.JPG

Um detalhe curioso é que Tikal não foi descoberta pelos colonizadores espanhóis e só há registros de visitas ao sítio arqueológico em 1848, já depois da Independência da Guatemala. Hoje tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, Tikal é visita obrigatória para os amantes da história e da cultura. Mas para que o passeio não vire uma roubada, vão aí algumas dicas importantes:
– Não gaste seu tempo e seu dinheiro indo assistir ao nascer do sol nas pirâmides. O espetáculo é bonito, mas não é imperdível. E não vale o esforço de acordar às 2h30 da madrugada e pagar 50 reais extras (além do ingresso normal de 75 reais) para vê-lo.

– Escolha bem a agência que vai te levar ao parque. Nós caímos na roubada de contratar a agência El Mirador e vivemos experiências traumáticas, a começar pelo motorista da van que nos pegou com 40 minutos de atraso e dirigiu os 70 quilômetros de Flores a Tikal em altíssima velocidade, apesar dos pedidos nossos e de outros turistas para que ele tirasse o pé do acelerador.

– E para completar, fuja de dois guias de Tikal: César, conhecido como “La Zorra” e Roberto, dois golpistas que tentam extorquir dinheiro dos turistas em meio ao passeio.

GASTRONOMIA

Nossa viagem gastronômica pela Guatemala começa em Antigua, por um estabelecimento que “não oferece comida, e sim uma experiência para gerar recordações”. A frase é do chef Rodrigo Salvo, um chileno que já viveu na Espanha, Dinamarca, Uruguai e Brasil e, hoje, se dedica à arte de criar maravilhas na cozinha do Restaurante Quiltro, usando produtos genuinamente guatemaltecos. Com um menu degustação de 8 tempos, ele não apresentou curiosas misturas, como lichia com vinho verde e sal de Jamaica; camarão com abacaxi e molho de maracujá; vegetais assados com queijo e mel de abelhas Talnete; robalo defumado em sal negro; carne assado com queijo chancol; e charuto de beterrabada, queijo e creme, com chips de cacau. Simplesmente delicioso!

À beira da piscina e com a mesa coberta de pétalas e velas (clima de lua-de-mel), o sofisticado Restaurante Welten nos brindou com um verdadeiro banquete. O jantar começou com salada verde, tomate e queijos; fluiu para um peixe grelhado com vegetais e um delicioso filé mignon ao molho de pimentas verdes; e terminou com um delicioso sorvete artesanal da casa. Melhor opção de jantar em Antigua, com certeza!

Com muita descontração e simpatia, o suíço Christophe comanda o Restaurante Chez Christophe com deliciosas pizzas, massas e pratos típicos da culinária francesa e suíça. Não deixe de provar pasta al pesto com creme de queijos e filé de peixe fresco com salada de uvas e cebolas douradas. Imperdível!

E no Norte da Guatemala, às margens do Lago Peten, a cidade de Flores é parada obrigatória para quem vai visitar as ruínas das Pirâmides de Tikal. Ali, o Raices Bar and Grill oferece a combinação perfeita de vista para o lago, ótimo ambiente e deliciosos pratos. Provamos camarões com alho à parrilla e espeto de filé mignon com vegetais. Maravilhoso!

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3 comentários sobre “Guatemala

  1. estão completamente equivocados e desinformados sobre El Salvador, primeiro vocês deveriam visitar para depois dar opinião sobre esse lindo pais , visitei ele no final do ano e gostei muito!!!!

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