Texas: nossa primeira parada nos EUA

 

Difícil resumir a essência de qualquer estado em uma única cidade. Mas, com seus três habitantes, um bar e uma agência de Correios, o povoado-fantasma de Luckenbach consegue a façanha de sintetizar a alma do Texas. No palco montado nos fundos do bar, bandas do mais puro country se revezam para reviver clássicos e apresentar novos sucessos. A plateia reúne homens e mulheres de chapéu, espora, botina e cinto de fivelão prateado. Placas de carro enferrujadas, fotos antigas e uma infinidade de badulaques pintados com a estrela solitária da bandeira texana decora o ambiente, onde são servidos cervejas artesanais, porções gigantescas de batata frita e refrigerantes em copos que mais parecem baldes. Isso é o Texas!

Foto Renato Weil/A Casa Nomade.2018.Estados Unidos.

Luckenbach nada mais é que uma cidade de mentirinha, comprada pelo humorista Hondo Crouch em 1970 e que ficou famosa depois de um sucesso da música country, gravada por Willie Nelson e Waylon Jennings, cujo refrão diz “Let’s go to Luckenbach”. Mas sua essência é super verdadeira e, nos fins de semana, centenas de pessoas se reúnem ali para shows e rodeios que só reafirmam a identidade texana. Identidade essa que remonta aos idos de 1830, quando os povos da região lutaram bravamente para se libertar do México e se transformar na independente República do Texas, condição mantida por nove anos, até que o estado fosse anexado de vez pelos Estados Unidos. Ali se fixaram ambiciosos criadores de gado Longhorn (com chifres enormes), agricultores dispostos a vencer a seca e xerifes dignos dos famosos filmes de bang-bang. Gente que até hoje bate no peito para se dizer, em primeiro lugar, texana, e depois, norte-americana.

Para mergulhar nessas raízes e tradições, é fundamental visitar uma autêntica fazenda texana. Um excelente endereço é o Texas Ranch Life, uma fazenda nas colinas de Austin (capital política do estado) que é o lar de lindos cavalos quarto-de-milha, bisões americanos e um dos maiores rebanhos Longhorn registrados nos EUA. Propriedade do casal John e Taunia Elick, o Texas Ranch Life ainda preserva oito casas históricas do Texas, datadas de 1850, com estilo arquitetônico alemão, pintura original, móveis antigos, tapetes orientais e objetos de decoração tipicamente texanos. Com uma arena de rodeio privada, o Texas Ranch Life oferece aos visitantes diversas atividades, como cavalgadas, cattle-drive (rancharia), caça, pesca e um bom descanso com hospedagem nas suas lindas casas históricas. Provamos e recomendamos!

Já nos arredores de Houston (a maior cidade do Texas), a história e tradição do estado são recriadas, com personagens fantasiados e uma incrível perfeição de detalhes, no George Ranch Historical Park. A visita começa pela fazenda de gado de Henry e Nancy Jones, dos anos 1830, considerada um dos primeiros assentamentos do nordeste do México. Ali, um intérprete do velho Jones ainda “vive” na cabana feita de troncos e conta a história da família: uma década antes da Batalha do Álamo, o colono Stephen Austin trouxe 300 famílias para esta região do Rio Brazos para estabelecer uma nova cidade na fronteira mexicana. Entre eles, estavam Henry e Nancy Jones que, em 1824, começaram a formar naquelas terras uma família com 12 filhos e uma empresa de pecuária.

A filhas mais velha dos Jones, Polly “vive” na segunda casa do George Ranch Historical Park, datada de 1851, e conta a sua história como uma das maiores proprietárias de terra da região. Em 1845, ela se casa com Wiliam Ryon e constrói um próspero império agropecuário com mais de 11 mil hectares de terra. Na contramão do machismo da época, Polly era a chefe da casa, da família e da empresa e, além de riquezas, deixou como herança, um legado feminista ao Texas. Na terceira casa do parque, a Mansão Davis, “vive” Susan Elizabeth, a filha mais velha de Polly, e seu marido, o banqueiro John Harris Pickens Davis. Essa terceira geração, além de administrar a empresa de gado, expandiu os negócios da família para o ramo têxtil e de energia elétrica.

A filha dos Davis, Mary Elizabeth (conhecida como Mamie George), foi a última a herdar terras da família. Junto com o marido Albert George, Mamie escreveu seu nome na história da comunidade como uma pessoa generosa e perspicaz nos negócios. Em 1920, descobriu-se petróleo na propriedade deles. Mas a fortuna veio acompanhada de má sorte. O casal perdeu dois filhos com problemas de saúde e a única sobrinha em um acidente de carro. Sem herdeiros, Mary e Albert construíram a Fundação George que hoje administra os negócios e mantém obras sociais. Imperdível a visita, tanto pela história como pela bela atuação dos atores que representam as figuras históricas. Destaque para o Uncle Bob, um criador de porcos e plantador de algodão que “vive” nas terras da família na época do fim da escravidão e trabalha como meeiro (70% da produção era dos George e 30%, do Uncle Bob).

George Ranch  EUA 31 08 2018 110.JPG

 

Mas não saia do Texas sem assistir a um rodeio. De preferência, numa cidadezinha minúscula, onde amigos e vizinhos vão se encontrar na arquibancada para ver de perto montarias, provas de laço e de tambor, e brincadeiras com crianças se aventurando no lombo de ovelhas. Nós fomos espectadores de um rodeio lindo, organizado pela companhia Lester Meier Rodeo, na cidade de Harper, e foi emocionante.

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