Yellowstone

À primeira vista, a paisagem é serena e estável. O chão sob nossos pés parece imóvel e permanente. É como se a Terra fosse um pano de fundo estático para nossas vidas, separado da rotina diária da nossa existência. No entanto, isso não passa de ilusão.

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A verdade é: a Terra nunca está parada. É um lugar poderoso e instável, sempre em mutação. E o Parque Nacional de Yellowstone, no Norte dos Estados Unidos, nos apresenta os mistérios do nosso planeta e nos dá uma rara oportunidade de testemunhar a Terra como ela realmente é.

Em Yellowstone, tudo é, ao mesmo tempo, antigo e novo. Forças geológicas moldam tudo o que acontece aqui, hoje e sempre. Centenas de milhões de anos atrás, esse lugar era tão plano quanto os antigos mares que o envolviam. Mas quando as Montanhas Rochosas se elevaram, os mares recuaram. Nossa Terra, tão inquieta, começou a empurrar o magma de suas profundezas para a superfície. Vulcões perfuraram o céu formando as montanhas de Absaroka, escarpadas e majestosas. Então, tempos depois, uma série de supervulcões explodiu. A mais recente ocorrência no coração de Yellowstone foi tão catastrófica que em questão de dias, talvez horas, toda uma cadeia de montanhas foi destruída.

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Mammoth Yellowstone 22 04 2019 Weil 123

Tudo o que restou foi uma cratera de 70 quilômetros de largura – tão grande que você nem percebe estar no interior da caldeira de um vulcão. Antigas e recentes erupções moldaram a paisagem que vemos hoje. Estima-se que, durante os últimos 17 milhões de anos, as forças vulcânicas empurraram o platô Yellowstone para uma posição mais alta que as áreas circundantes. Isso fez com que a Terra então canalizasse as tempestades para o planalto, deixando até 4 metros de neve no solo a cada inverno. Geleiras colossais formaram-se uma vez nesta elevação fria e alta, enterrando Yellowstone em até 1.400 metros de gelo.

Essas geleiras agitavam a terra, cavando vales suaves em forma de U, transportando pedras enormes e deixando para trás o solo adequado para pastagens que sustentam ursos, coiotes e grandes rebanhos de bisões e alces. Assim, os eventos geológicos do passado influenciam não apenas a vida vegetal atual, mas também uma rica variedade de vida selvagem. Esses animais vivem em harmonia com a terra e suas estações.

Na primavera, o Rio Yellowstone ruge com a neve derretida. Em alguns lugares, a rocha é dura, a erosão é lenta e a água se inclina para as planícies. Onde a rocha é mais macia, o gelo corta a Terra e revela, em camadas nas paredes do Grand Canyon de Yellowstone, milhões de anos de história geológica.

No começo da visita, Yellowstone pode parecer estranho e misterioso. Mas é exatamente essa estranheza que nos permite abrir uma janela rara para observar nosso planeta, com toda a sua inquietude e imprevisibilidade. É fato que, enterrados em todos os lugares sob a face da Terra, há um calor interior intenso. Mas, em Yellowstone, o magma fica a poucos quilômetros abaixo de nossos pés. O vulcão continua sendo uma força ativa que alimenta mais de 10.000 fontes hidrotermais. Yellowstone reúne dois terços da atividade geotermal da Terra, o que significa dizer que ali tem mais poços de lama, fumarolas, fontes termais e gêiseres que no resto do mundo todo.

Observar essa paisagem é sentir o poder do nosso planeta, no seu aspecto mais elementar e visceral, lembrando-nos como a vida é frágil. É como se estivéssemos assistindo a dois mundos diferentes colidirem: a Terra oculta das turbulências e a Terra do ar e da vida. O gelo derretido e a chuva se infiltram no solo para serem superaquecidos e, depois, voltarem à superfície em espetaculares convulsões, na forma de gêiseres. A água quente transporta minerais dissolvidos das profundezas para formar novas rochas diante dos nossos olhos. As fontes termais nos deslumbram com o azul radiante e podem parecer frescas e convidativas, mas a água borbulhando é escaldante e extremamente ácida. Apesar dessas duras condições, microrganismos unicelulares (cianobactérias e arqueobactérias, organismos similares às primeiras formas de vida no planeta), prosperam aqui em abundância. Muito irônico constatar que nossas origens distantes sobrevivem em uma espécie de incubadora, onde as formas avançadas da vida atual morreriam instantaneamente.

A beleza que testemunhamos em Yellowstone inspira nossa imaginação! Romantizamos a paisagem e nos maravilhamos com a força e as cores impressionantes da natureza. No entanto, o que vemos com admiração é temporário, nada mais que um piscar de olhos na vida de nosso planeta. As forças geológicas passadas e presentes continuarão a remodelar o Yellowstone. Essas forças, às vezes sutis, às vezes dramáticas, inevitavelmente transformarão tudo o que vemos diante de nós, e a vida, resiliente como sempre, se adaptará. Nesta superfície incerta da Terra, testemunhamos quão profundamente a vida está entrelaçada com a natureza, enquanto Yellowstone revela sua beleza misteriosa.

SERVIÇO:

Nós percorremos mais de 700 quilômetros dentro do Parque Nacional Yellowstone com a agência Yellowstone Tour Guides. Super recomendamos o guia Scott Barlow, uma fonte inesgotável de informação com 20 anos de experiência na região.

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In english:

As we look across the landscape, it strikes us as still and serene. The ground beneath our feet may feel immobile and permanente. It is as if the Earth were a silente backdrop to our lives, detached from the daily rhythms o four existence. This however is na illusion.

In truth, the Earth is never still. It is a powerful, unstable place. That is always changing. Filled with immeasurable beauty and wildness, Yellowstone National Park draws us into our planet’s mistery and give us a rare opportunity to witness our Earth as it really is.

In Yellowstone, everything is at once ancient and new. Geologic forces shape virtually everything that happens here today. Hundreds of millions of years ago, this land was as flat as the ancient seas that lapped over it. As the Rocky Mountains rose, the seas retreated. Our restless Earth began pushing magma up from deep below. Volcanoes pierced the sky forming the rugged and majestic Absaroka Mountains. Then, eons later, a series of supervolcanoes exploded. The most recente occurring in the heart of Yellowstone was so catastrophic that within a matter of days, perhaps hours, an entire mountain range was obliterated.

All that remained was a 45 mile wide crater. Today, this tranquil landscape hides the caldera. So vast that it can be easy to overlook. These ancient, and more recents eruptions, have shaped the land we see today. Geology also influences climate and weather patterns in the park. Volcanic forces push the Yellowstone Plateau higher that surrounding areas. The land then channels storms onto the plateau where they leave up to 12 feet of snowpack. Colossal glaciers once formed on this cold, high elevation, burying Yellowstone under as much as 4000 feet of ice.

These glaciers churned and tilled the land carving gentle U-shape valleys transporting enormous boulders and leaving behind soil well suited for grasslands. These grassland support large herds of bison and elk. Thus past geologic events influence not only today’s plant life, but a rich diverse array of wildlife as well. These animals live in rhythm with land and its seasons.

In spring, Yellowstone’s river roar with snowmelt. In places were the rock is hard, and erodes slowly, water bends to the shape of the land. Where the rock is softer, rives slice down through the Earth and reveal, layered in the walls of Yellowstone’s Grand Canyon a half-million years of geologic history.

At first, Yellowstone may seem alien and mysterious. But it is in this very strangeness that we are given a rare window into our planet, it’s restlessness, it’s unpredictability. It reminds us that buried everywhere beneath the earth’s surfasse lies an inner raging heat. In Yellowstone the magma still lies just a few miles beneath our feet. The volcano remains an active force fueling more than 10.000 hydrothermal features.

More mudpots, fumaroles, hot springs and geysers than exist in the rest of the world combined. We begin to feel the power of our planet at work, at its most elemental, its most visceral, reminding us how fragile life is. It is as if we are watching two wildly different worlds collide, the hidden Earth of turnoil and the Earth of air and life. Snowmelt and rain seep down through to be super-heated and then recycle back to the surface in spectacular convulsions. Hot water carries dissolved minerals from deep below to form new rocks before our eyes. The hot springs dazzle with radiante blue and may seen cool and inviting, but the water bublling up can be scalding hot or even extremely acidic. Despite these harsh conditions, single cells micro-organisms, life as its most basic thrive here in abundance, including archaea, simple organisms believed to be similar to the first forms of life on our planet.

How ironic, our distant origins occured in an incubator where today’s advanced forms of life would perish in instant. The beauty we witness at Yellowstone inspires our imagination. We romanticize it and marvel at it. We thrill to nature’s stunning colors and patterns. Yet what we behold with awe and joy  is only temporary, a flicker of an eye in the life of our planet. Past and present geologic forces will continue to reshape Yellowstone. These forces, usually subtle, occasionally dramatic will inevitably transform all that we see before us, and life, resilient as ever, will adapt. At times it may be easier to understand what exists thousands of miles away than what lies only a few miles beneath our feet. But here on the earth’s uncertain surface, we witness how deeply life is intertwined with the land, as Yellowstone reveals its mysterious beauty.

SERVICE:

We have traveled more than 450 miles in Yellowstone National Park with Yellowstone Tour Guides agency. Really recommend the guide Scott Barlow, an inexhaustible source of information with 20 years of experience in the region.


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